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Boeing 737 MAX: qual era o problema e o que fizeram pra resolver

O Boeing 737 MAX ficou vários meses impedido de voar no mundo inteiro após dois acidentes ocorridos na Indonésia e na Etiópia, causando a morte de mais de 300 pessoas, em decorrência de problemas de fabricação da aeronave. Isto levou a um prejuízo de R$ 150 bilhões para a Boeing e outras dezenas de empresas aéreas.

Viagem
1 mês atrás
Boeing 737 MAX: qual era o problema e o que fizeram pra resolver

Sobre o Boeing 737 MAX

O Boeing 737 MAX é a quarta geração da família Boeing 737, a mais vendida na história de aviação. O MAX é uma aeronave mais baixa, com asas e fuselagem bem mais próximos do solo.

A série 737 MAX tem sido oferecida em quatro variantes, tipicamente oferecendo de 138 a 204 assentos numa configuração típica de duas classes e um alcance de 3,215 a 3,825 milhas náuticas (5,954 a 7,084 km). O 737 MAX 7, MAX 8 (incluindo a versão de 200 assentos, o MAX 200) e MAX 9 destinam-se a substituir o 737-700, -800 e -900, respectivamente.

Lançamento do 737 MAX em dezembro de 2015 com o primeiro 737 MAX 8 (Aka The Beav / Wikimedia)
Lançamento do 737 MAX em dezembro de 2015 com o primeiro 737 MAX 8 (Aka The Beav / Wikimedia)

Após dois acidentes fatais com a aeronave MAX 8, em outubro de 2018 e em março de 2019, agências reguladoras ao redor do mundo suspenderam a operação dessa série até segunda ordem.

A Boeing suspendeu a produção desta série em janeiro de 2020, e retomou a produção em maio de 2020, com uma velocidade de produção menor e com algumas modificações.

O acidente

O primeiro acidente ocorreu no dia 29 de outubro de 2018, um Boeing 737 MAX 8 da Lion Air, com dois meses de uso, caiu minutos após decolar do aeroporto de Jacarta (Indonésia), deixando 189 mortos.

Acontece que, a aeronave já havia apresentado problemas, como anomalias nas informações de velocidade e altitude. Um dia antes do acidente, o comandante recebeu dois alertas durante o voo. O primeiro de discrepância de velocidade (IAS disagree). O segundo de perda de sustentação iminente (stick shaker), onde o manche da aeronave vibra repetidamente, alertando sobre o ângulo de inclinação ou a velocidade do avião. Após tentativas de retornar ao normal, o comandante decidiu desligar o sistema, como orientado no manual da aeronave, e assim os pilotos fizeram o voo com o sistema desativado até o destino final.

Depois dos incidentes, a equipe da Lion Air fez apenas uma drenagem no sistema de dados de ar, e uma limpeza no conector do computador de sensibilidade artificial do profundor de cauda, e liberou o avião para voo, digamos que seria o último voo em direção a morte.

Momentos antes do desastre, os mesmos problemas relatados nos dias anteriores voltaram a ocorrer, mas sem que os pilotos tivessem conhecimento das ocorrências prévias ou de como as tripulações haviam lidado com as falhas sistêmicas. Incomodado com o erro do painel e com os alertas sonoro e físico (a vibração provocada pelo stick shaker), o piloto pediu informações para torre de comando sobre qual era a velocidade e a altitude, tentando identificar quais seriam os dados corretos.

Ao contrário da tripulação do voo anterior, ele não desligou o sistema de estabilização. Dessa forma, o sistema empurrou o “nariz do avião” para baixo por mais de 20 vezes, de acordo com os registros da caixa preta, enquanto os pilotos forçavam novamente o ângulo de subida. Em determinado momento, os flaps foram baixados e o MCAS parou de operar e o avião ficou estabilizado. Porém, os pilotos voltaram a subir os flaps, o que acionou novamente o MCAS. Isso provocou uma perda de sustentação crítica, levando ao acidente fatal.

O relatório final do acidente concluiu que o acidente foi ocasionado por uma sucessão de falhas. Concluindo-se que os reguladores não realizaram uma avaliação adequada do MCAS e que nenhuma outra agência reguladora identificou o problema no sistema, projetado para confiar em um único sensor, ficando assim vulnerável a eventuais falhas de leitura.

O segundo acidente aconteceu com o Boeing 737 MAX da Ethiopian Airlines, em circunstâncias aparentemente semelhantes com outro Boeing 737 MAX. O avião caiu apenas seis minutos após a decolagem, próximo à cidade de Bishoftu. Todas as 157 pessoas a bordo morreram.

Tudo indica que houve novamente uma falha nos indicadores de velocidade e altura do avião. Não se sabe ainda se o problema foi causado por um mal funcionamento dos sensores, ou no sistema que interpreta o dados.

As circunstâncias similares e a incerteza em relação às causas exatas dos dois acidentes geraram um enorme medo e pressão sobre as companhias aéreas, agências reguladoras e sobre a Boeing. Por isso houve o impedimento de voo de todos os Boeing 737 MAX no mundo.

O que foi feito?

A Boeing relatou que realizará update do software do MCAS, antes, o sistema de controle de voo da aeronave, incluindo o MCAS, recebia informação de apenas uma fonte de informação (um sensor de ângulo de ataque), e que agora receberá de duas em todas as aeronaves. Em caso de desacordo de informações entre as duas fontes, o piloto automático não irá interferir na atitude da aeronave. Caso os pilotos interfiram, utilizando o botão de override (sobreposição), o sistema do avião não interferirá mais na aeronave pelo resto do voo.

Novo winglet de ponta dupla da Boeing no 737 MAX (Oleg V. Belyakov / Wikimedia)
Novo winglet de ponta dupla da Boeing no 737 MAX (Oleg V. Belyakov / Wikimedia)

Além disso, a fabricante ressaltou que realizou atualizações adicionais no sistema de controle de voo para garantir mais redundância e segurança em caso de falhas.

Para testar o novo software e outras modificações do jato, a empresa também afirmou que foram feitos mais de 1.350 voos de testes, totalizando 4.400 horas de voo.

737 MAX 7 no Show Aéreo Internacional de Farnborough (Steve Lynes / Wikimedia)
737 MAX 7 no Show Aéreo Internacional de Farnborough (Steve Lynes / Wikimedia)

Por fim, foi desenvolvido um novo treinamento para os pilotos em conjunto com os órgãos reguladores de diferentes países. Os pilotos passaram a receber orientações e feedbacks relacionados a operação do MAX. Além disso, há alguns meses estão sendo realizadas seções de simulação com o software atualizado, onde já participaram 90% dos operadores do Boeing 737 MAX.

Todas as informações necessárias serão repassadas para os tripulantes, fazendo com que o 737 MAX seja um dos aviões mais seguros do mundo, segundo a FAA.

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